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Dicas gerais de escrita

Bem-vindos & Bem-vindas ao primeiro artigo do Clubinho de Escritores, em que trago informações importantes sobre escrita que gostaria de ter aprendido antes do meu primeiro livro. Aqui, os artigos não precisam ser lidos em ordem, mas é importante que sejam lidos e devidamente entendidos (para qualquer dúvida, estou à disposição para responder, ou ao menos tentar, através do meu Instagram: @turquesswolf.autora).

Para iniciar este blog, resolvi trazer sobre:

Dicas gerais de escrita.

Ressalto que os demais artigos intitulados como "dicas" não serão regras concretas, mas modelos para autores se inspirarem. Este, em questão, traz informações que adquiri ao longo da minha jornada como escritora. Mais tarde, estudando mais a fundo os conteúdos que trarei aqui, vocês poderão criar seu próprio estilo, baseando-se até em outros autores do mesmo estilo que os seus — o que, inclusive recomendo. Aqui, vou trazer o jeito que funcionou para mim, repassando como um auxílio.

Agora, sem mais delongas, vamos às dicas gerais!


Dica 01: Parágrafos longos intimidam o leitor.

É isso mesmo! Aos que gostam de escrever, filosofar e viajar na maionese, como eu, sinto informar que: muitas vezes, o excesso de informação pode afastar o seu leitor.

Um dia, peguei para ler um romance em que um dos primeiros parágrafos dava, quase completamente, uma página do livro 13x21. Meus olhos tremeram. Não conseguia me concentrar de jeito nenhum. Quase não consigo terminar o parágrafo, porque comecei a dar 100% da minha atenção à borboleta voando no jardim (e eu nem aprecio borboletas).

Parágrafos menores criam sensação de fluidez, aumentam a velocidade da leitura, facilitam encontrar informações e ainda melhoram o ritmo emocional. Em cenas tensas, os parágrafos costumam ficar ainda menores. Como:

Ele abriu a porta.

O apartamento estava vazio. Estranhamente vazio.

O ritmo fica mais intenso do que em um único bloco enorme, percebe? O leitor "respira" entre os parágrafos. Às vezes uma frase ganha impacto justamente por estar isolada.

Muitos escritores iniciantes colocam três ou quatro assuntos diferentes no mesmo parágrafo, o que gera um texto de 20 linhas. Eu mesma costumava fazer muito isso, porque sempre gosto de explicar tudo para as pessoas, bem explicadinho. Só que, às vezes, tem coisa que ninguém quer saber, né?

Conhecem a expressão Too Much Information (TMI)? Se não, dêem uma pesquisada, porque aqui, ao ver desta autora, a lógica é a mesma. Compartilhar informações desnecessárias, que ninguém precisava saber naquele momento. A informação pode até aparecer, mas mais tarde, por ações ou diálogos, e não por textos descritivos.

Uma boa prática é:

  • nova ação → novo parágrafo;
  • novo foco → novo parágrafo;
  • nova emoção importante → novo parágrafo

Isso ajuda até na hora de iniciar ou finalizar capítulos.

Dica extra: às vezes, algumas palavras no texto não mudam absolutamente nada. Quando for o caso, apenas as corte. Por exemplo: Ela assentiu com a cabeça. Isso pode simplesmente virar: Ela assentiu, dependendo do que deseja mostrar na cena.


Dica 02: Dê ritmo com os tamanhos das frases.

Essa dica meio que complementa o tópico anterior. Eu disse que o ritmo fica mais intenso quando os parágrafos são ainda menores, certo? O autor precisa ter em mente qual tom quer trazer a cena. E, geralmente, frases curtas aceleram as coisas.

Pense em uma conversa cara a cara. Quando queremos que a conversa termine mais rápido, o que fazemos? Falamos mais curto e grosso. Quando queremos que a conversa dure, é o oposto. Começamos a divagar, até sobre o que não entendemos direito.

Exemplo 1: ação. Em alguns casos, cada palavra pode até ocupar uma linha diferente para aumentar o impacto.

Outro disparo ecoou. Silêncio de novo.

Exemplo 2: reflexão. 

Caminhou devagar pela rua vazia, observando as luzes que começavam a refletir nas janelas enquanto o céu perdia, pouco a pouco, os últimos tons alaranjados do fim da tarde.

Às vezes, gosto de dar uma misturada nas duas ideias. Tem vezes que não quero que a cena seja intensa demais, mas também não poética demais. Você deve encontrar seu próprio estilo.


Dica 03: Diálogos precisam de interrupção e de ação.

Eu sempre fui apaixonada por mangás (quadrinhos japoneses); leio mais mangás do que livros. Tanto que o meu primeiro romance, Philia: um amor destinado, foi pensado inicialmente como uma história em quadrinhos.

Mas a lógica dos mangás é bem diferente da lógica dos livros.

Nos mangás, há muitos diálogos e conseguimos "ver" as ações dos personagens por meio das ilustrações. Em um livro, porém, o leitor não tem esse apoio visual. Por isso, além de escrever as falas, é interessante que o autor mostre o que os personagens estão fazendo enquanto falam.

— Você está atrasado.

Adrien largou a mochila no sofá.

— Eu sei.

Nesse exemplo, a ação do Adrien interrompe o diálogo e ajuda o leitor a visualizar a cena. Em um mangá, essa ação provavelmente apareceria desenhada, enquanto, no livro, ela precisa ser descrita para que o leitor imagine o movimento do personagem e compreenda melhor o clima do momento.

Essas pequenas ações também deixam o diálogo mais natural, porque mostram reações, emoções e intenções sem que tudo precise ser explicado diretamente.


Dica 04: Opte por verbos fortes em vez de advérbios.

Outra coisa que fiz em excesso nos meus primeiros livros foi usar advérbios para complementar praticamente todas as falas e ações. Particularmente, gosto de advérbios e, às vezes, ainda exagero no uso deles, admito. Mas é como eu disse antes: Too Much Information. Em muitos casos, o advérbio acaba explicando algo que o próprio verbo já poderia transmitir.

Muitas vezes, basta escolher um verbo mais específico para eliminar a necessidade do advérbio.

Em vez de:

Ele falou agressivamente.

Podemos usar, por exemplo: 

Ele berrou.
Ele disparou
Ele rosnou
Muitos escritores e revisores detestam essa última, mas ainda é uma opção!

O leitor entende a intenção da fala sem precisar de uma explicação extra, e o texto fica mais enxuto.

Isso não significa que advérbios sejam proibidos! Eles têm seu lugar e podem ser muito úteis dependendo do tom da cena. A questão é evitar usá-los por hábito. Sempre que escrever um advérbio, vale a pena entender se um verbo mais preciso não faria o trabalho sozinho.


Dica 05: O personagem deve soar como ele mesmo!

Essa dica veio até acompanhada de uma exclamação, porque considero muito importante! Cada personagem deve ter um jeito próprio de falar, agir e pensarIsso vale para qualquer livro, mas principalmente para histórias narradas em primeira pessoa, em que é o próprio personagem quem conta os acontecimentos. O leitor precisa sentir que aquela voz pertence a alguém único.

Essa já foi uma das minhas maiores dificuldades. Eu acabava escrevendo todos os diálogos do jeito que EU falaria. Mesmo imaginando como cada personagem agiria ou pensaria, eu não conseguia transmitir isso para o papel. O que mais me ajudou foi o teste de personalidades MBTI. Ele não traz uma verdade absoluta (bem longe disso!), mas me deu um ponto de partida para diferenciar meus personagens.

No início, eu fazia o teste respondendo várias vezes como se fosse cada um deles e, ao final, lia sobre como aquele tipo costumava reagir em relacionamentos amorosos, no trabalho, em conflitos e em outras situações. Hoje em dia, ainda utilizo, mas consultando materiais específicos ou usando o que já aprendi ao longo do tempo.

Claro, é algo que funcionou para mim, e talvez não funcione para você. Mas, sabendo o MBTI, podemos tirar coisas interessantes, como:

ISTJ (introvertido, sensitivo, racional, julgador) → costuma ser mais direto, prático e objetivo.

ENFP (extrovertido, intuitivo, emocional, perceptivo) → mais espontâneo e entusiasmado.

INFJ (introvertido, intuitivo, emocional, julgador) → tende a ser mais reflexivo e idealista.

ESTP (extrovertido, sensitivo, racional, perceptivo) → mais provocador e confiante.

Por exemplo, tenho um livro narrado em primeira pessoa cujos protagonistas são uma INTJ e um ESFP, personalidades opostas. Quando escrevo sob o ponto de vista da protagonista INTJ, preciso que a narrativa pareça mais fria, analítica e cínica.

Eu dizia que ele só se aproveitava do amor ingênuo dela para fazê-la trabalhar mais, mas ela insistia que tinha chances.

Não tinha. Mas já não gastava energia tentando convencê-la disso.

Já para o protagonista ESFP, a narrativa precisa transmitir leveza, espontaneidade e sociabilidade.

Com tanta gente reunida, como ainda não tinha aparecido nenhuma mulher interessante?

Bocejei alto, entediado por ter que passar mais uma noite conversando com os mesmos caras de sempre. 

Essa "voz" aparece na narração, mantendo expressões de fala e personalidade do personagem, mas também deve estar nos diálogos.

Li um livro, certa vez, em que a protagonista era rebelde, alegre e espontânea. Nas conversas com os outros, usava gírias o tempo todo! Só que, quando a história voltava para a narração em primeira pessoa, ela parecia outra mulher, completamente diferente: formal, séria, direta e muuuito correta! Tinha a sensação de que existiam duas protagonistas em uma só!

Por isso digo que a voz do personagem precisa aparecer nesses momentos. O jeito como ele observa o mundo, interpreta as situações e escolhe as próprias palavras deve permanecer consistente, esteja o personagem conversando com alguém ou só dividindo seus pensamentos com o leitor.


Dica 06: Evite excessos de nomes próprios.

Maria olhou para Alex. Maria suspirou. Maria cruzou os braços.

Consegue me dizer o que há de errado nesse trecho? Provavelmente você não encontrou um erro de gramática. Ainda assim, a leitura soa um pouco estranha, não é?

A dica que trago aqui é: quando há apenas um ou dois personagens na cena, o leitor já deve saber de quem estamos falando (por causa da "voz"). Repetir o nome a cada frase acaba chamando atenção para a escrita, em vez da história.

Reduzindo o primeiro exemplo, temos:

Maria olhou para Alex. Suspirou e cruzou os braços.

A repetição desaparece naturalmente. 

No entanto, vale explicar: em cenas com vários personagens (como em um Found Family, por exemplo), os nomes ajudam a evitar confusão. Isso também tem relação com a voz do personagem que mencionei anteriormente. Às vezes, ela é tão marcante que o leitor reconhece quem está falando sem precisar que o nome apareça o tempo todo.

Aliás, personagens assim são os que mais conquistam os leitores. Já percebi!


Dica 07: Evite explicar emoções que já estão visíveis

Aqui, vou explicar com exemplos:

Menos eficiente:

Ela estava nervosa.

Suas mãos tremiam.

Mais eficiente:

Suas mãos tremiam ao tentar abrir a porta.

Na segunda versão, o leitor conclui sozinho que ela está nervosa. Você não precisou dizer. Bastou mostrar a consequência da emoção. É o famoso "mostrar em vez de contar" (show, don't tell). Em vez de explicar o que o personagem sente, deixe que suas ações, expressões ou até a forma como ele fala revelem isso.

Muitos professores de escrita defendem que essa abordagem costuma ser mais envolvente, justamente porque permite que o leitor participe da cena, em vez de apenas receber a informação pronta.


Dica 08: Faça descrições sensoriais equilibradas.

Na minha profissão principal, Arquiteta Urbanista, estudo muito sobre o impacto que o espaço construído pode causar nos sentidos das pessoas. Uma crítica comum na arquitetura contemporânea é que muitos projetos priorizam quase exclusivamente a visão, deixando os outros sentidos em segundo plano.

Isso também tem tudo a ver com a escrita!

A maioria dos escritores descreve apenas o que o personagem vê ("viu", "notou", "avistou"...), quando, na verdade, a gente percebe muito mais do que isso: sons, cheiros, temperatura, textura, sabores. Tudo isso ajuda o leitor a se sentir dentro da cena.

Quanto mais sentidos você desperta, mais fácil é criar imersão.

Exemplo 1: sem imersão

Ela entrou na padaria e viu várias prateleiras cheias de pães.

 Exemplo 2: incluindo os sentidos

Logo que entrou na padaria, ouviu o tilintar das xícaras e talheres, e sentiu o aroma aconchegante de pão recém-assado. O calor dos fornos ali dentro era mais confortável que o frio da rua.


Dica 09: O peso da última frase.

Pretendo escrever um artigo só sobre "como começar e terminar capítulos". Mas, resumindo, existe um motivo para tantos autores pensarem com carinho na última frase de uma cena: ela costuma ser a parte que mais fica na memória do leitor.

Lembra da comparação que fiz com uma conversa cara a cara? Quando queremos encerrar um assunto, geralmente paramos de divagar e vamos direto ao ponto, curto e grosso.

Com os capítulos acontece, basicamente, a mesma coisa.

Já ouviram histórias de suspense ao redor de uma fogueira? A pessoa está contando a história e, de repente, faz uma pausa dramática antes de arregalar os olhos e gritar para assustar todo mundo. O final de um capítulo funciona justamente como essa pausa dramática. Faz o leitor pensar: "Espera... como assim? Continua!" e querer continuar lendo.

Mas esse gancho não precisa ser, necessariamente, um suspense no sentido literal da palavra. Muitos autores reservam esse momento para uma revelação, uma decisão importante, uma pergunta sem resposta ou até uma frase emotiva.

Às vezes, o capítulo termina apenas com:

Ela sorriu pela primeira vez desde o funeral da mãe.

Ou com uma percepção importante para o restante da história (especialmente em romances):

Percebi, naquele momento, que ela era a mulher da minha vida.

O começo do capítulo deve despertar a curiosidade do leitor para que ele continue a leitura, mas o final deve dar um motivo para ele virar a página.

Esse é o peso da última frase.


E essas são as primeiras dicas que tenho para vocês hoje!

Já tenho alguns outros artigos planejados (a maioria, por enquanto, só na minha cabeça) e vou publicando aos poucos, conforme for lembrando de mais assuntos e aprendendo coisas novas também.

Guarde essas dicas no coração, estude, pratique e continue aprimorando sua escrita. Tenho certeza de que ainda vai dar vida a histórias maravilhosas!

Até a próxima lição! 💭




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